Após ter sala alagada, homem usa carro de som para protestar em frente a incorporadora

DOURADOS NEWS FABIANE DORTA


Comunicador vai de 'minitrio' para frente de incorporadora - Crédito: Clara Medeiros / Dourados News

Depois de ter a sala alagada devido ao que ele atribui a problemas estruturais do prédio, o comunicador Marcos Pierry, de 42 anos, foi até a sede da incorporadora responsável pela construção da estrutura para fazer um protesto na manhã desta segunda-feira, dia 26, em Dourados.

Ele subiu no ‘minitrio’ elétrico de um carro de som em frente à sede da Corpore Incorporadora e Construtora, no bairro Vila Planalto. Utilizando um microfone, passou a relatar problemas que alega ter passado após comprar uma sala comercial no ‘Sunset Residence Suíte & Office’, localizado na Avenida Weimar Gonçalves Torres, uma das principais vias da área central da cidade.

A Polícia Militar esteve no local e solicitou que o condutor do veículo estacionasse do outro lado da rua.

“Eu só quero fazer com que eles [da Incorporadora] me ouçam e resolvam o meu problema. Qual é o problema que eles têm que resolver? Ou eu continuo com a sala e eles façam tudo aquilo e arquem com tudo isso e já resolvam para que eu consiga continuar o trabalho, ou eles devolvem o valor, ‘indeniza e tchau’”, afirma Pierry.

OS ALAGAMENTOS

O comunicador afirma ter adquirido a sala há três anos sob contrato para pagamento parcelado, e que desde então enfrenta problemas como falta de pingadeira, manchas em vidraças, borracha com defeitos, entre outros. No entanto, o maior impacto teria sido provocado pelos alagamentos.

De acordo com Pierry, o primeiro teria acontecido há cerca de um ano e três meses, durante uma manutenção de piscina no 19º andar. A sala dele ficaria no sétimo, mas por cima do banheiro passaria um cano, cuja luva teria se rompido.

O comunicador afirma que desde então teria começado a alertar de que o encanamento estaria fazendo um barulho estranho e que estava com receio de que estourasse novamente, o que teria acontecido na quinta-feira, dia 22, após uma manutenção em caixas d’água do prédio.

A água do sistema de combate a incêndio também teria sido acionada. Imagens encaminhadas ao Dourados News e divulgadas em redes sociais, mostram Pierry carregando equipamentos enquanto o espaço fica encharcado pela água que cai do teto.

O comunicador alega que a incorporadora teria oferecido devolver o valor já quitado em parcelas, mais uma indenização pelos danos do alagamento. No entanto, considera a oferta abaixo do prejuízo estimado após o alagamento.

“Eles querem indenizar com R$ 80 mil, que não paga nem os planejados, toda essa dor de cabeça que eu estou tendo e já é a segunda vez”, afirma.

Pierry estima que os prejuízos sejam superiores a R$ 300 mil em equipamentos e móveis planejados, sem contar os dias em que a empresa está parada e o risco de perder clientes e patrocinadores.

No local está montado um estúdio, onde ele grava dois podcasts que apresenta. Ele também aluga a estrutura por hora para clientes fixos e esporádicos ou para reuniões e mentorias de pequenos grupos, o que requer diversos equipamentos eletrônicos como câmeras, iluminação e de armazenagem de conteúdo digital.

OUTRO LADO

Em nota encaminhada ao Dourados News, a Corpore alegou que “jamais se furtou de suas responsabilidades, tendo adotado providências para apurar os fatos, buscar soluções técnicas e estabelecer tratativas destinadas à resolução da situação”.

Pontua ainda que possui canais permanentes de atendimento aos clientes, inclusive por meio de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e que “sempre esteve aberta ao diálogo e à construção de uma solução justa, razoável e compatível com as circunstâncias efetivamente verificadas”, pontuou.

“Entretanto, é necessário esclarecer que a existência de uma reclamação não significa o reconhecimento automático de todas as alegações apresentadas, tampouco de valores indenizatórios unilateralmente apontados, cuja eventual responsabilidade e extensão dependem de apuração técnica e documental”, acrescentou a empresa.

A Corpore ainda lamentou que “uma situação que poderia ser tratada pelos canais adequados de diálogo e composição tenha adquirido contornos de exposição pública, com manifestações e publicações que podem comprometer injustamente sua imagem e reputação, construídas ao longo de anos de trabalho”.

A incorporadora ainda infirmou que respeita integralmente “o direito de manifestação, a liberdade de expressão e o legítimo direito de seus clientes de reivindicarem soluções. Contudo, tais direitos devem ser exercidos dentro dos limites legais, com respeito à verdade dos fatos, à honra e à imagem das pessoas e instituições envolvidas”, acrescenta.

Acrescentou ainda que adotará medidas judiciais que considera cabíveis nas esferas civil e criminal, para “resguardar seus direitos, esclarecer os fatos e apurar eventuais excessos, sempre com respeito ao devido processo legal”.

“Por respeito às partes envolvidas e para preservar a adequada apuração dos acontecimentos, a Corpore não divulgará detalhes de negociações particulares, documentos ou informações que possam comprometer a solução da controvérsia”, cita.



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