Justiça mantém prisão de matriarca líder de escândalo na Saúde de Mato Grosso do Sul

INVESTIGA MS WENDELL REIS


O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) manteve a prisão de Rossana Paroschi Jafar, apontada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) como uma das líderes do esquema que desviou mais de R$ 27 milhões na Saúde de Mato Grosso do Sul.

O relator, Waldir Marques, negou pedido de medidas cautelares alternativas solicitado pela defesa, com alegação de falta de contemporaneidade dos fatos. No entendimento de Marques, a prisão é necessária para garantir a ordem pública.

Rossana é apontada como uma das líderes do esquema de corrupção investigado na Operação Gutemberg. Segundo a investigação, ela tinha forte poder de decisão sobre a administração e fianças da Editora Avante, utilizada para vender livros em troca de favorecimentos na saúde.

Além de Rossana, também foram presos os filhos dela: Olívia, Giovani e Felipe Jafar. Apenas Olívia conseguiu deixar a prisão.

O Gaeco investiga a prática de crimes contra a Administração Pública em licitação, com corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros delitos correlatos.

A investigação aponta crime em Campo Grande/MS e com atuação em diversos municípios do Estado do Mato Grosso do Sul, com núcleos bem definidos, liderada por empresários que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso.

“Os investigados se valiam de servidores públicos corrompidos para fraudar e direcionar procedimentos de compras públicas, mediante contratação direta por inexigibilidade de licitação para a aquisição de livros paradidáticos. Verificou-se que os valores recebidos dos cofres públicos pela organização criminosa ultrapassam a quantia de R$ 27 milhões, a qual era pulverizada entre seus integrantes, servidores corrompidos e diversas pessoas físicas e jurídicas com o fim de ocultar e dissimular a sua origem ilícita”, diz nota do Gaeco.

Segundo a investigação, o esquema criminoso se valia da influência de servidores cooptados na área da saúde pública para condicionar a autorização de exames, cirurgias e até vagas de leitos em hospitais pela rede estadual à aquisição de livros vendidos pelo grupo.

“Importante destacar que a organização criminosa seguia operando até os dias atuais com contratos ativos em vários municípios”, reforça o Gaeco.



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