Organização alvo de operação mantinha bunker subterrâneo para armazenar droga

CAMPO GRANDE NEWS HELIO DE FREITAS


Um bunker subterrâneo, escondido sob uma camada de pedra brita, servia para armazenar grandes carregamentos de drogas em um imóvel de Caarapó. A Polícia Civil identificou a estrutura durante investigação contra uma organização criminosa que atuava na região de fronteira. Nesta quinta-feira (29), a Operação Bunker terminou com sete pessoas presas e sete mandados de busca e apreensão cumpridos.

Vídeos da operação mostram policiais retirando a brita que escondia a abertura de acesso ao compartimento subterrâneo (veja as imagens acima). Segundo a investigação, o grupo projetou e construiu o esconderijo especialmente para ocultar grandes quantidades de drogas antes da distribuição dos carregamentos.

No mesmo imóvel funcionava uma oficina mecânica que, conforme a Polícia Civil, servia de fachada para as atividades criminosas. O estabelecimento também oferecia apoio à preparação, manutenção e adaptação dos veículos utilizados no transporte das cargas.

A operação desta quinta-feira resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva. Os policiais prenderam outras duas pessoas em flagrante e apreenderam uma pistola e munições. Os investigadores apontam os alvos como integrantes dos setores responsáveis pelo comando, transporte e movimentação financeira da organização.

As investigações da Defron (Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira) identificaram uma estrutura com divisão de tarefas e atuação principalmente entre a faixa de fronteira, Caarapó e Dourados.

Além do bunker, o grupo utilizava imóveis alugados em nome de terceiros e familiares para dar suporte ao transporte e armazenamento das drogas. Os investigadores também identificaram movimentações financeiras por meio de contas bancárias de outras pessoas e empresas do setor automotivo.

Entre os locais onde os mandados foram cumpridos está uma loja de revenda de veículos na Rua Dom Pedro II, no Centro. Um dos sócios foi preso na operação de hoje.

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos dividiam os valores entre diferentes contas para dificultar a identificação dos responsáveis pelo dinheiro e dar aparência legal às transações.

Preso em operação é colocado em viatura (Foto: Divulgação)

Caminhonetes roubadas

Outro ponto da investigação envolve o uso de caminhonetes Toyota Hilux SW4 para transportar grandes carregamentos de drogas. Conforme a Defron, a organização utilizava veículos furtados ou roubados, adulterava placas e outros sinais de identificação e os colocava em circulação nas rodovias.

A investigação começou a partir de duas apreensões feitas pelo DOF (Departamento de Operações de Fronteira), sendo a mais recente em agosto deste ano. Com o avanço das apurações, os policiais conseguiram relacionar os dois casos à mesma organização e identificar a função de cada investigado.

As duas ações resultaram na apreensão de 5.675,805 quilos de drogas, dos quais 5.668,005 quilos eram de maconha e 7,8 quilos de haxixe marroquino.

Os policiais também recuperaram três caminhonetes Toyota Hilux SW4 com registros de furto ou roubo e placas falsificadas.

A Polícia Civil estima em R$ 12,58 milhões o prejuízo financeiro causado à organização com a apreensão das drogas e dos veículos. Esse valor corresponde às apreensões anteriores que deram origem à investigação, e não apenas aos resultados da operação desta quinta-feira.

Bloqueio de dinheiro

A Justiça também determinou o bloqueio de valores em contas bancárias, contas de pagamento e aplicações financeiras dos principais investigados e de empresas ligadas ao grupo.

A medida busca impedir a movimentação dos recursos e garantir que a Justiça possa determinar a perda de bens e valores provenientes das atividades criminosas.

A operação contou com apoio de equipes do DOF, da 1ª Delegacia de Dourados, dos SIGs (Setores de Investigações Gerais) de Caarapó e Fátima do Sul e do Canil da Polícia Militar.

A Defron mantém as investigações para identificar outros grupos envolvidos no transporte de drogas pela região de fronteira e possíveis ligações entre as organizações criminosas.



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