ELEIÇÕES
Lula lidera com 44% no 2º turno e Flávio Bolsonaro com 38%, mostra nova pesquisa
G1 CAMILA DA SILVA
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que o presidente Lula (PT) lidera com 44% das intenções de voto em um eventual 2º turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 38%. Não há mais empate técnico entre eles.
Na pesquisa anterior, divulgada em maio, Lula tinha 42%, e Flávio Bolsonaro, 41%. Em abril, era o senador quem aparecia numericamente à frente, com 42% contra 40% de Lula. Em março, os dois estavam numericamente empatados, com 41% cada.
A pesquisa marca a mudança de um quadro que mostrava empate técnico desde março. Agora, Lula abre uma vantagem de seis pontos sobre o adversário.
Ainda assim, o cenário é mais acirrado do que já foi quando a série de pesquisas da Quaest começou, em agosto de 2025. Naquela época, Lula tinha dezesseis pontos de vantagem. Em dezembro, caiu para dez pontos. Foi no fim do ano que Flávio Bolsonaro anunciou que seria candidato.
O levantamento de junho é o primeiro da Quaest a captar a reação dos eleitores a episódios recentes como a revelação dos diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso Daniel Vorcaro e as medidas anunciadas pelo governo Trump para taxar produtos brasileiros e classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
"A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula", explica Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Esse eleitorado corresponde a um terço do total e pode decidir a disputa. Os independentes são os eleitores que não se consideram nem de direita, nem de esquerda, nem bolsonaristas, nem lulistas.
Entre eles, Lula subiu de 29% para 37% e aparece à frente. Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24% — em abril, seu melhor momento, chegou a 33%. Outros 30% afirmam que não votariam num 2º turno entre Lula e Flávio.
A pesquisa mostra ainda uma melhora na imagem do governo, com o impacto de medidas anunciadas nos últimos meses como a isenção do Imposto de Renda e o novo programa Desenrola, para ajudar famílias endividadas.
Nunes destaca também a oscilação negativa de Flávio na direita não-bolsonarista, em que o senador do PL chegou a 90% das intenções de voto em abril e agora tem 82%.
"Os outros nomes da direita não conseguem, no entanto, melhorar seu desempenho contra Lula a ponto de serem mais competitivos que Flávio. Zema tem uma oscilação negativa neste último mês e está a dez pontos de Lula", explica Felipe Nunes.
Caso Master e medidas de Trump
O diretor da Quaest avalia que a piora do cenário para Flávio está embasada na reação do eleitorado à revelação das conversas com Vorcaro.
A grande maioria (65%) acredita que Flávio errou ao pedir dinheiro a Vorcaro para bancar a produção do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro.
58% consideram que o senador do PL pode estar escondendo algum envolvimento ilegal com o Banco Master.
62% afirmam que Flávio Bolsonaro sabia que Vorcaro estava envolvido em corrupção.
Aumentou de 9% para 16% o percentual de brasileiros que acreditam que a crise do Master afeta mais a família Bolsonaro.
A Quaest também fez perguntas sobre medidas anunciadas por Trump em relação ao Brasil. Sobre a decisão de classificar facções criminosas como terroristas, o que foi criticado por Lula e é defendido por Flávio Bolsonaro, o eleitorado se divide: 45% concordam com isso e 45% discordam. Por outro lado, 60% afirmam que cabe ao governo brasileiro fazer isso.
De acordo com a pesquisa, 53% dizem que punições impostas por Trump vão prejudicar empresas e bancos brasileiros.
Sobre as novas tarifas anunciadas pela Casa Branca, 47% concordam com Lula, que acusa Flavio de ter influenciado a decisão, e 46% consideram que os EUA estão punindo o Brasil por causa do PIX, enquanto 36% acreditam que seria uma retaliação a críticas do presidente brasileiro ao governo norte-americano.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-07661/2026.
A Quaest apresentou também aos eleitores simulações de 2º turno em que Lula enfrentaria Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Nunes diz que chama a atenção o desempenho do fundador do MBL e pré-candidato do Missão, Renan Santos.
"Quem tem melhorado na simulação de 2º turno é Renan Santos, que chegou a 31%, seu melhor desempenho na série histórica. Mas ainda aparece menos competitivo que Flávio."
Cenário Lula x Renan Santos
Lula (PT): 45% (eram 45% em maio, 44% em abril, 43% em março, 44% em fevereiro e 46% em janeiro);
Renan Santos (Missão): 31% (eram 28% em maio, 24% em abril, 24% em março, 25% em fevereiro e 26% em janeiro);
Indecisos: 4% (eram 5% em maio, 5% em abril, 3% em março, 4% em fevereiro e 4% em janeiro);
Branco/nulo/não vai votar: 20% (eram 22% em maio, 27% em abril, 30% em março, 27% em fevereiro e 24% em janeiro).
Cenário Lula x Romeu Zema
Lula (PT): 45% (eram 44% em maio, 43% em abril, 44% em março, 43% em fevereiro e 46% em janeiro);
Romeu Zema (Novo): 35% (eram 37% em maio, 36% em abril, 34% em março, 32% em fevereiro e 31% em janeiro);
Indecisos: 3% (eram 4% em maio, 4% em abril, 4% em março, 4% em fevereiro e 4% em janeiro);
Branco/nulo/não vai votar: 17% (eram 15% em maio, 17% em abril, 19% em março, 21% em fevereiro e 19% em janeiro).
Cenário Lula x Ronaldo Caiado
Lula (PT): 45% (eram 44% em maio, 43% em abril, 44% em março, 42% em fevereiro e 44% em janeiro);
Ronaldo Caiado (PSD): 44% (eram 35% em maio, 35% em abril, 32% em março, 32% em fevereiro e 33% em janeiro);
Indecisos: 4% (eram 4% em maio, 4% em abril, 3% em março, 4% em fevereiro e 4% em janeiro);
Branco/nulo/não vai votar: 16% (eram 17% em maio, 18% em abril, 21% em março, 22% em fevereiro e 19% em janeiro).
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