Operação mira esquema milionário de contrabando que inclui policiais e bombeiro de Dourados

DA REDAçãO


Agentes da PF e da Receita em loja da Capital onde foram cumpridos mandados (Foto: Divulgação)

Na manhã desta quarta-feira (18), a Polícia Federal, por intermédio da Delefaz/MS (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul), com apoio da Receita Federal do Brasil, deflagrou a Operação Iscariotes, com o objetivo de reprimir a atuação de organização criminosa investigada por crimes de contrabando, descaminho, lavagem de capitais, corrupção passiva, violação de sigilo, e outros ilícitos relacionados ao sistema financeiro nacional.

Quatro mandados de prisão preventiva estão sendo cumpridos contra dois líderes do esquema e contra dois policiais civis acusados de integrar a organização criminosa. Um dos policiais presos é Célio Rodrigues Monteiro, o “Manga Rosa”, de Campo Grande. Ele já havia sido alvo das operações Omertà e Snow.

A operação de hoje também cumpriu mandados de busca também contra um policial militar, um bombeiro militar lotado em Dourados e três policiais rodoviários federais. Entre os locais dos mandados de busca e apreensão estão a 5ª Delegacia de Polícia de Campo Grande e a Delegacia de Polícia de Sidrolândia.

De acordo com a Polícia Federal, a Operação Iscariotes decorre de investigação de longo curso, que revelou a atuação estruturada de um grupo criminoso especializado na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado, desacompanhados de documentação fiscal e sem a devida regularização perante os órgãos de controle aduaneiro.

Após o ingresso irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e em outras unidades da Federação, especialmente Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas.

As apurações demonstraram que o grupo utilizava veículos adaptados com compartimentos ocultos para viabilizar o transporte e a distribuição das mercadorias ilícitas. Também foram identificadas diversas condutas voltadas à ocultação e à dissimulação da origem criminosa dos valores auferidos com a atividade ilegal.

Segundo as investigações, os agentes vinculados a órgãos de segurança pública (aposentados e da ativa) atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo.

No curso da investigação, foram realizados diversos flagrantes, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais.

Após representação da autoridade policial, com manifestação favorável do Ministério Público Federal, a Justiça Federal expediu as seguintes medidas cautelares:

a) 31 mandados de busca e apreensão;

b) 4 mandados de prisão preventiva;

c) 1 mandado de monitoração eletrônica;

d) 2 afastamentos de funções públicas;

e) 6 Suspensões de porte/posse de arma de fogo;

f) Indisponibilidade de bens de 12 Pessoas Físicas e Jurídicas (40 milhões de reais), incluindo sequestro de ao menos 10 imóveis; sequestro e apreensão de ao menos 12 veículos e suspensão das atividades de 6 pessoas jurídicas.

Ao todo, foram cumpridas 90 ordens judiciais, com a mobilização de mais de 200 policiais nas cidades de Campo Grande, Dourados, Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG) e Montes Claros (MG).

A operação contou, ainda, com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros eventuais envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.

Emagrecedores contrabandeados, apreendidos durante a operação (Foto: Divulgação)


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