Saúde
Prefeitura inicia força-tarefa contra chikungunya na Reserva Indígena e confirma epidemia
DA REDAçãO
Diante do aumento expressivo de casos de chikungunya na Reserva Indígena de Dourados e da confirmação de epidemia, equipes da Prefeitura iniciaram nesta segunda-feira (9) um mutirão para eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. A ação mobiliza agentes de endemias, profissionais de saúde e trabalhadores da limpeza das secretarias municipais de Saúde e de Serviços Urbanos. A força-tarefa também conta com apoio do Governo do Estado, da Prefeitura de Itaporã, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e de lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó.
O ponto de partida das atividades foi o Hospital da Missão Evangélica Caiuá, localizado na aldeia Jaguapiru, região que concentra o maior número de casos. De acordo com o último boletim epidemiológico, já são 99 casos confirmados da doença e outras 183 notificações em investigação na Reserva. Embora a responsabilidade pelo combate ao mosquito e pela atenção primária nas aldeias seja do Governo Federal, o prefeito Marçal Filho determinou que a Secretaria Municipal de Saúde mobilizasse equipes para auxiliar no enfrentamento da situação diante da gravidade do cenário.
As equipes iniciaram visitas domiciliares com apoio de agentes indígenas de saúde. Durante as inspeções, os profissionais verificam possíveis criadouros do mosquito e orientam as famílias sobre prevenção. Lideranças indígenas relatam que muitas pessoas estão sem conseguir sair de casa devido às fortes dores no corpo e nas articulações causadas pela doença.
Nas primeiras casas visitadas na aldeia Jaguapiru, foram encontrados diversos focos do mosquito, principalmente em caixas d’água. Muitas famílias não possuem abastecimento regular de água e armazenam água da chuva. Mesmo nas residências com água encanada, a distribuição é irregular, o que faz com que moradores mantenham recipientes cheios por longos períodos.
Para combater os focos, as equipes utilizam produtos biológicos conhecidos como larvicidas ou bioinseticidas, que eliminam as larvas do mosquito em locais onde a água não pode ser retirada imediatamente, como caixas d’água. Segundo a coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Priscila da Silva, o produto é específico para as larvas do Aedes aegypti e não oferece risco para pessoas ou animais domésticos.
Ela falou sobre a realidade das aldeias indígenas de Dourados. “As equipes têm encontrado muitos focos e nossa proposta é orientar as famílias a redobrarem os cuidados, eliminar criadouros e evitar água parada por muito tempo nas caixas d’água”, explicou. A coordenadora classificou como crítico a quantidade de focos encontrados já no primeiro dia de trabalho. “Estamos também fazendo a borrifação com a máquina costal em locais que tem mais circulação de população”, acrescentou Priscila da Silva.
Paralelamente, equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos iniciaram a vistoria em prédios públicos da reserva, como escolas, unidades de saúde e centros de assistência social. O secretário-adjunto da Semsur, Angelo Gomes, informou que os trabalhos incluem roçada, limpeza de áreas públicas e recolhimento de entulhos que possam acumular água.
“Estamos realizando serviços de limpeza e manutenção em equipamentos públicos e disponibilizando caminhões para recolher materiais que acumulam água. Começamos pela Jaguapiru e vamos avançar para a aldeia Bororó ao longo da semana”, explicou.
HOSPITAL SUPERLOTADO
O Hospital da Missão Evangélica Caiuá tem registrado forte aumento na procura por atendimento médico. Atualmente, cerca de 130 pacientes são atendidos diariamente, a maioria com sintomas semelhantes, como dores intensas no corpo e nas articulações, dor de cabeça e náuseas.
Nesta segunda-feira, diversos pacientes aguardavam atendimento dentro e fora da unidade de saúde. Com a alta demanda, medicamentos utilizados para aliviar os sintomas começam a ficar escassos tanto no hospital quanto nos postos de saúde da reserva. A Secretaria Municipal de Saúde informou que irá reforçar imediatamente o fornecimento de medicamentos e buscar apoio do Governo do Estado para garantir assistência aos pacientes.
A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo responsável pela dengue e pela zika. Os sintomas incluem febre alta, dores intensas nas articulações, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas, cansaço e manchas na pele. Embora a maioria das pessoas se recupere em poucas semanas, em alguns casos as dores nas articulações podem persistir por meses ou até anos, exigindo acompanhamento médico prolongado.
COMENTÁRIOS



PRIMEIRA PÁGINA




