CAMPO GRANDE
Homem que matou e queimou os corpos de mulher e filha é condenado a 67 anos de prisão
DA REDAçãO
O Tribunal do Júri de Campo Grande condenou em julgamento na quarta-feira, dia 27, João Augusto Borges, 21 anos, a 67 anos e 6 meses de prisão por duplo feminicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ele é o acusado de matar por esganadura e depois queimar os corpos da própria filha Sophie Eugênia, de 10 meses e a companheira Vanessa Eugênia Medeiros, de 29 anos.
Conforme a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o crime ocorreu em 26 de maio do ano passado, na residência onde o acusado morava com a companheira e a filha do casal, em Campo Grande. De acordo com a investigação, o episódio teve início após uma discussão entre o casal. Durante o conflito, o homem teria asfixiado a companheira até a morte e, em seguida, matado a própria filha, uma bebê, que também foi morta por estrangulamento.
Após o duplo feminicídio, o homem colocou os corpos no porta-malas do carro e seguiu até uma área afastada da cidade. No local, utilizou combustível para incendiar os cadáveres, numa tentativa de destruir evidências e dificultar a identificação das vítimas e a elucidação do crime.
De acordo com os autos, o acusado e a companheira mantinham um relacionamento há cerca de dois anos, marcado por um histórico de conflitos e discussões frequentes. Testemunhos indicam que a vítima demonstrava interesse em encerrar a relação, enquanto o denunciado resistia à separação, mesmo diante das constantes brigas. Segundo a investigação, essa resistência estava ligada, em parte, ao receio de ter que pagar pensão para a filha do casal.
Depoimentos colhidos durante a investigação apontam que o crime já vinha sendo delineado pelo suspeito antes da noite dos assassinatos. De acordo com um colega de trabalho, o homem teria confidenciado, dias antes, a intenção de matar a companheira e a própria filha. Ainda segundo o relato, ele não apenas manifestou o desejo, como também descreveu a forma como pretendia agir, antecipando detalhes da execução.
Para tentar ocultar sua participação nos crimes, o acusado ainda teria adotado uma estratégia para encobrir o ocorrido com uma narrativa falsa. De acordo com a investigação, ele cogitou procurar a polícia para registrar o desaparecimento da companheira e da filha, com o objetivo de desviar as suspeitas.
No julgamento, a Promotora de Justiça Luciana do Amaral Rabelo, representando o Ministério Público, requereu a condenação do réu nos termos da pronúncia. O Conselho de Sentença, por maioria de votos, acolheu integralmente a tese do MPMS, condenando o réu pelos crimes de duplo feminicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Entenda as penas
Pelos dois crimes de feminicídio, contra a companheira e a própria filha, Borges foi condenado a 31 anos e 3 meses de prisão para cada vítima. Já pelo crime de ocultação e destruição dos cadáveres, a Justiça fixou mais 5 anos de reclusão.
Com a soma das condenações, o total chega a 67 anos e 6 meses de prisão, a serem cumpridos em regime inicial fechado.
Além da pena privativa de liberdade, o condenado também terá que pagar uma indenização mínima de R$ 10 mil para cada vítima, como forma de reparação pelos danos causados aos familiares.
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