ELEIÇÕES
Alvo de questionamentos, Fiems tenta mudar vice de Riedel
INVESTIGA MS WENDELL REIS
Lideranças que comandam a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) querem “tirar a paz” do chapão do governo em um ponto onde mais há consenso no grupo para a eleição de outubro: a escolha do vice.
A escolha do vice costuma dividir partidos aliados, mas nesta eleição já era ponto pacificado, depois que Riedel se filiou ao PP e o PL ficou com as duas vagas para o Senado. Todavia, interferências de empresários podem mexer no jogo.
O atual vice, José Carlos Barbosa, o Barbosinha (Republicanos), é o favorito de Eduardo Riedel (PP) e não enfrentava resistência de partidos aliados até o momento. Porém, tudo mudou depois que os planos de lideranças da Fiems para o pré-candidato do grupo, Jaime Verruck, fugiram do almejado.
O ex-secretário queria ser senador, mas não teve espaço. Mudou para deputado federal, mas terá muita dificuldade para ser eleito onde foi encaixado, no Republicanos. Ele se filiaria ao PP, mas trocou depois que a federação recebeu a filiação de Dagoberto Nogueira (PP) e Geraldo Resende (União).
Verruck terá dificuldade porque o partido deve fazer apenas um deputado federal, com remota possibilidade de chegar ao segundo. A expectativa é de que o deputado federal Beto Pereira seja o mais votado, em chapa que ainda tem na briga a vereadora mais votada em Dourados, Isa Marcondes, o deputado estadual Roberto Hashioka e o vereador de Campo Grande, Neto Santos, que tem o apoio da Igreja Universal.
Lideranças da Fiems sempre tiveram força nas escolhas de quem comanda o governo. É assim na Assembleia Legislativa, por exemplo, onde têm influência até na escolha de quem comanda a mesa diretora.
Alvo de questionamentos
A instituição é alvo de questionamentos e investigação. A 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Comarca de Campo Grande abriu uma frente de investigação sobre eventuais irregularidades em contratações realizadas pela Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (FIEMS).
O inquérito civil foca nas relações contratuais da federação com duas empresas: a Souza Alves & Cia Ltda. (conhecida pelo nome fantasia Multifer) e a Inovaseg Comercial de Equipamentos e Serviços Ltda.
O Inquérito Civil, assinado pelo Promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri foi instaurado no dia 09 de fevereiro.
Um levantamento detalhado nos relatórios de contratos do SENAI e SESI (entidades geridas pela FIEMS) revela o volume de recursos empenhados com as empresas citadas na investigação. Somados, os valores previstos nos contratos recentes ultrapassam a marca de R$ 1,9 milhão.
A Souza Alves & Cia atua no comércio varejista de ferragens e materiais de construção, possui um histórico consolidado no fornecimento para órgãos públicos. Nos registros analisados do Sistema S, a empresa firmou acordos milionários que abrangem de materiais de escritório a materiais elétricos. Foram encontrados três contratos datados entre julho e dezembro de 2022, com valores de R$ 641 mil; R$ 455 mil e R$ 405 mil.
Já a Inovaseg, fundada mais recentemente, em maio de 2020, também logrou êxito em um grande pregão eletrônico da instituição. Assinado em outubro de 2023, o objeto foi de fornecimento de materiais elétricos para o Senai/MS, no valor de R$ 405 mil.
Convênio de R$ 7 milhões
Deputados também cobram explicações sobre um convênio de R$ 7 milhões do governo com a instituição, liderado por Verruck. Os deputados derrubaram um requerimento de Pedro Kemp (PT) questionando o repasse e o presidente da Assembleia, Gerson Claro, prometeu levar o atual secretário na Assembleia para prestar esclarecimento sobre o convênio.
Segundo justificativa anexada ao convênio, os R$ 7 milhões serão utilizados para realização de estudos técnicos e de mercado para identificar novas oportunidades de negócios.
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