Adriane poupou Solurb de corte, ampliou repasse em 30% e cobra a conta da população

O JACARé


Prefeita pressiona vereadores para manterem o veto e impor o sacrifício à população, enquanto concessionária do lixo ganha uma fortuna (Foto: Divulgação/CMCG)

Adriane Lopes (PP) elevou em 30% o repasse à Solurb, que ganhou acréscimo de R$ 37,2 milhões no repasse no ano passado. Ao poupar a concessionária do lixo – pivô dos maiores escândalos de corrupção investigados pela Polícia Federal – do corte de gastos, a prefeita decidiu aumentar a taxa do lixo, que encareceu o IPTU 2026 em até 396%, e repassou a conta para o povo de Campo Grande.

Conforme o Portal da Transparência, a prefeitura pagou R$ 164,8 milhões à Solurb em 2025. O valor é superior aos R$ 162,7 milhões pagos em 2024. Os números mostram que a prefeita poupou a concessionária do lixo, que tem como sócio oculto o poderosíssimo empresário João Amorim, segundo a PF, dos decretos de contenção de gastos publicados em março e junho do ano passado.

Em relação a 2021, último ano da gestão de Marquinhos Trad (PDT), quando o município repassou R$ 127,5 milhões à empresa do lixo, houve acréscimo de 29,21%. Nos últimos quatro anos, Adriane contemplou a Solurb com acréscimo de R$ 37,2 milhões no repasse anual. O aumento ocorreu apesar da redução nas áreas cobertas pela varrição de rua, que teve redução expressiva na Capital.

 
Nesta segunda-feira (2), ao discursar na Câmara Municipal de Campo Grande, a prefeita ressaltou que não tem medo de adotar medidas amargas. Só esqueceu de deixar claro que a coragem é contra o povo, mas não contra a poderosa concessionária do lixo.

Em 2018, quando Marquinhos elevou o valor da taxa do lixo de forma astronômica como Adriane, o valor pago à Solurb era de R$ 108 milhões. Após ouvir o clamor popular, o então prefeito recuou e suspendeu o aumento na taxa do lixo. Na época, o prefeito tentou reduzir o valor pago à concessionária do lixo.

Os repasses à Solurb:
2021 – R$ 127.559.474,68
2024 – R$ 162.771.248,98
2025 – R$ 164.820.864,10
Adriane decidiu permanecer contra o povo e aumentou a pressão sobre os vereadores para manterem o veto ao projeto de lei complementar, que suspendia o aumento abusivo na taxa do lixo de 2026. A proposta teve o apoio de 20 vereadores. No dia 12 de janeiro, o apoio foi unânime pela derrubada do reajuste acima da inflação.

A prefeita dobrou a aposta e pediu que os vereadores mantenham o veto. Ela alegou que a arrecadação com a taxa do lixo está em R$ 40 milhões, mas gasta R$ 136 milhões com a coleta. O valor é inferior ao valor pago à empresa no ano passado, que foi de R$ 164,8milhões, de acordo com o Portal da Transparência.

A coragem para cortar gastos não atingiu a Solurb: prefeita conversa com Papy (Foto: Divulgação)

O poder “sobrenatural” da Solurb
Conforme a Polícia Federal, o consórcio formada pelas empresas Financial Construtora e LD Construções só ganhou a licitação mediante propina paga ao então prefeito, Nelsinho Trad (PSD). Ele teria recebido a Fazenda Papagaio, avaliada em R$ 29 milhões na época, em outubro de 2012. A Justiça chegou a bloquear R$ 105 milhões do ex-prefeito por causa do escândalo do lixo.

O juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, chegou a condenar, em sentença, Nelsinho, os sócios oficiais da Solurb – Antônio Fernando de Araújo Garcia e os irmãos, Lucas e Luciano Potrich Dolzan, e o sócio oculto, João Amorim. Além disso, o magistrado anulou o licitação e o contrato entre a prefeitura e a Solurb.

A 2ª Câmara Cível do Tribuna de Justiça anulou a sentença e livrou a Solurb.

Conforme a Polícia Federal, nas operações Mineração de Ouro e Terceirização de Ouro, que levou ao afastamento dos conselheiros do Tribunal de Contas – Iran Coelho das Neves, Waldir Neves Barbosa, Ronaldo Chadid e Osmar Domingues Jeronymo – houve compra de sentença na corte por parte da concessionária do lixo. O TCE invalidou decreto de Alcides Bernal (PP), que havia rompido o contrato bilionário no final de 2016.

A empresa também é citada na Operação Ultima Ratio, que levou ao afastamento de cinco desembargadores do TJMS, também em suposto esquema de venda de sentença.

A Solurb esteve no epicentro da cassação do mandato de Alcides Bernal. Conforme a PF, interceptação telefônica mostrava João Amorim cobrando os vereadores a exigirem o pagamento em dia da concessionária do lixo, que tem entre os sócios, o genro, Luciano Potrich.

Agora, a população de Campo Grande sente na pele o peso da concessionária do lixo. O povo paga a conta.

Nesta terça-feira, os vereadores de Campo Grande vão dizer de que lado estão na história. Será do povo?

Operação Terceirização de Ouro foi uma das investigações da PF que esbarrou na Solurb, investigada por compra de sentença (Foto: Arquivo)


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