CAMPO GRANDE
Obras param e matagal toma conta de elefantes brancos, a cara do abandono da gestão Adriane
O JACARé EDIVALDO BITENCOURT
Atraso e paralisação marcam obras de infraestrutura, escolas municipais, pavimentação, unidades de saúde e corredor do transporte coletivo em Campo Grande. O matagal esconde prédios inacabados. Em meio ao aumento absurdo no valor da taxa do lixo e do IPTU, obras paradas se transformaram em elefantes brancos e deixam a marca do abandono da cidade na gestão da prefeita Adriane Lopes (PP).
Durante a campanha pela reeleição, a pepista alegava que não concluiu as obras porque teve pouco tempo – dois anos e oito meses. Reeleita no 2º turno e consagrada como a primeira mulher eleita pelo voto direto em mais de um século de história, Adriane não desceu do palanque.
Na semana passada, com o apoio de sites amigos e uma rede de “influencers”, a prefeita voltou a anunciar o megapacote de R$ 540 milhões que serão investidos na pavimentação de 40 bairros. Os recursos serão repassados pelo Governo federal.
Só que o principal problema é que a prefeita não concluiu as obras lançadas antes da campanha pela reeleição, que já deveriam estar concluídas há mais de ano. Esse é o caso das três etapas da pavimentação do Conjunto Residencial Ramez Tebet, na saída para São Paulo. O Governo Lula (PT) repassou o dinheiro ainda em 2024, mas, até o momento, Adriane não conseguiu concluir a obra.
A pavimentação do bairro deveria ser concluída em novembro de 2024. Um ano e dois meses depois, a Rua Fidelis Bucker, por exemplo, continua sendo engolida pela erosão, que avança a cada chuva.
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No Jardim Auxiliadora, a prefeitura retomou a obra de R$ 11 milhões na semana passada. A obra deveria ser concluída em junho do ano passado. Sete meses depois do prazo, várias ruas seguem sem pavimentação.
A revitalização da Avenida Ernesto Geisel, no Bairro Marcos Roberto, deveria ser concluída na próxima semana. No entanto, a obra de R$ 20,9 milhões, repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, é marcada pelo transtorno causado aos comerciantes da região e motoristas, que desviam desde agosto de 2024.
Nos últimos dias, as máquinas e operários sumiram do local. Não há perspectiva sobre a conclusão da obra e o fim do transtorno para a população de Campo Grande. Os moradores do Bairro Marcos Roberto sofrem com o tráfego intenso. Comerciantes amargam prejuízos com a falta de acesso. Motoristas sofrem atraso no deslocamento até o Centro.
Mato esconde obras paradas
O abandono da escola municipal no Jardim das Nações, com 10 salas de aulas, é exemplo emblemático e clássico do abandono. Antes das eleições, a prefeitura até limpou o terreno e cercou o prédio inacabado.
Agora, nem isso. O matagal cresceu ao ponto de esconder a obra que deveria ser uma escola e está abandonada há 14 anos. Sem manutenção, o local se transformou em point de moradores de rua e animais peçonhentos. O que deveria ser referência na educação, transformou-se em ponto de perigo para crianças, adolescentes, mulheres, homens, enfim, todos os moradores da região.
O mesmo correu com a escola de educação infantil no Jardim Radialista. Além de estar tomado pelo mato, o prédio perdeu o telhado e ganhou apenas uma cerca da prefeitura. Nem sinal de que será retomado após mais de uma década parado.
O mato também esconde a obra inacabada da unidade básica de saúde no Recanto dos Rouxinóis. O posto de saúde começou a ser construído em 2012 e parece que vai continuar sendo depredado e sem ser concluído após a 5ª gestão municipal consecutiva – Nelsinho Trad (PSD), Alcides Bernal (PP), Gilmar Olarte (sem partido), Marquinhos Trad (PDT) e Adriane Lopes (PP).
É uma vergonha obra parada e não concluída, enquanto crianças seguem fora da escola por falta de vagas e pacientes morrem na fila de espera por falta de atendimento médico, de remédios, de exames ou de consulta com um médico especialista.
Até o corredor de ônibus da Avenida Günter Hans, na saída para Sidrolândia, que começou, voltou a patinar. Não há maquinário nem operário para dar andamento ao empreendimento, que ganhou fama por causar transtornos e duas mortes.
Apesar do Governo federal ter liberado em R$ 149 milhões para a construção de 34,9 quilômetros de corredores do transporte coletivo, a maior parte segue parada. A obra dos corredores da Bandeirantes e da Bahia está inconclusa. Aliás, nos dois casos, motoristas ficam na dúvida se existe ou não a linha exclusiva para o ônibus urbano.
Não há previsão do lançamento dos novos corredores, como das avenidas Coronel Antonino, Gury Marques, Costa e Silva e Calógeras.
O maior exemplo do descaso é o Centro de Belas Artes, cujos recomeços não saem dos recomeços e a obra idealizada para ser a moderna estação rodoviária não desencanta nem para ser referência na cultura. A prefeita voltou a destacar que vai concluí-la, mas o projeto segue marcado pelo abandono de mais de três décadas, que atravessou governos e prefeitos.
A revitalização da antiga Estação Rodoviária vai atrasar dois anos e ficou muito mais cara. Neste mês, a prefeitura oficializou o 8º temo aditivo na obra e prorrogou a conclusão para junho deste ano. Inicialmente, a previsão era que a obra fosse concluída em junho de 2023 e custasse R$ 16,5 milhões. O valor, por enquanto, já chegou a R$ 24 milhões. Já a conclusão, ninguém pode apostar quando será.
O Jacaré procurou o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli, e a prefeita Adriane Lopes na última segunda-feira (26) para saber do motivo do abandono. Não houve retorno da prefeita nem do secretário.
Além do abandono, o silêncio. Só a conta que não para de chegar para o contribuinte. Neste ano, o valor do carnê do IPTU chegou a ter aumento de até 396% em relação ao ano passado. Em julho, a prefeita volta a bater na casa do eleitor para pedir votos para o marido, o deputado estadual Lídio Lopes (sem partido) e outros aliados.
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