Pecuarista preso no Paraguai acusa autoridades de fazer ‘limpa’ em suas contas

Denúncia foi feita pelo advogado paraguaio de Orlando Vendramini Neto

DOURADOS INFORMA LUIZ GUILHERME


Momento em que Orlando chega à Polícia Civil em Dourados, semana passada (Foto: Arquivo/Leandro Holsbach)

O pecuarista Orlando Vendramini, de 64 anos, atualmente detido na PED (Penitenciária Estadual de Dourados), está acusando agentes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai de terem feito um ‘limpa’ em suas contas bancárias antes da sua deportação para o Brasil.

O brasileiro foi preso no dia 23 de janeiro de 2025 no estacionamento de um shopping em Mariano Roque Alonso e expulso do país poucos dias depois. Na semana passada, foi transferido de Foz do Iguaçu (PR) para Dourados, onde prestou depoimento no SIG (Setor de Investigações Gerais) e posteriormente, foi levado para a Penitenciária de Dourados.

A prisão ocorreu no contexto de uma investigação sobre atentados contra outros pecuaristas, supostamente ligados a disputas por dívidas. Durante a operação, as autoridades apreenderam celulares e cartões de crédito de Vendramini. Segundo seu advogado, Hugo López, esses dispositivos foram usados para realizar transferências bancárias e compras, resultando no desvio de aproximadamente 30 mil dólares.

Entre os dias 27 e 28 de janeiro, as contas de Vendramini, vinculadas à sua empresa Acres SA, foram manipuladas a partir dos dispositivos confiscados. Movimentações suspeitas foram identificadas por meio do sistema bancário paraguaio SIPAP, além de transações comerciais no país.

O advogado alega que os valores foram retirados sem comprometer os protocolos de segurança bancária, sugerindo que Vendramini pode ter sido forçado a fornecer suas senhas.

Funcionários desaparecidos

A defesa do pecuarista também alega que funcionários de sua fazenda, localizada em Presidente Hayes, estariam ‘desaparecidos’ desde a operação policial, sem qualquer comunicação com o exterior.

O ministro da Secretaria Nacional Antidrogas, Jalil Rachid, afirmou que a fiscalização interna da instituição já investiga as acusações e que o Ministério Público paraguaio também está apurando o caso.

O caso levanta questionamentos sobre possíveis abusos de autoridade por parte da Senad e a legalidade da deportação de Vendramini. Seu advogado sustenta que ele morava no Paraguai há mais de 30 anos e poderia ter direitos de residência desconsiderados no processo de extradição.

Novas denúncias sobre o caso devem ser apresentadas nos próximos dias, aumentando a pressão sobre as autoridades paraguaias.



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