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Guerra de Trump pode afetar R$ 310 milhões em exportações de MS para o Oriente Médio
O JACARé PRISCILLA PERES
A guerra iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump no final de semana, pode afetar a economia de Mato Grosso do Sul, que mantém relação comercial com os países atingidos pelos ataques. Em janeiro, a venda de produtos de Mato Grosso do Sul para esses países somou 59 milhões de dólares, o equivalente a R$ 310 milhões.
O Irã, principal alvo dos ataques dos EUA e Israel, apareceu entre os 10 principais compradores de produtos de Mato Grosso do Sul em 2025, com aumento de 86% na relação comercial. Em 2024, os Emirados Árabes integraram a lista dos países que mais compraram do Estado, com 245 toneladas.
Somente em janeiro de 2026, o Irã comprou 92 mil toneladas em milho e bagaço de óleo de soja de Mato Grosso do Sul, em janeiro deste ano. O montante somou 21,5 milhões de dólares, colocando o país como o 6º principal comprador de produtos de Mato Grosso do Sul em janeiro, com aumento de 254% no volume em relação ao mesmo período do ano passado.
O Iraque, outro país afetado pela guerra, comprou 37 mil toneladas de Mato Grosso do Sul em janeiro, gerando 17,4 milhões de dólares. O país aumentou em 189% as compras de MS, que atualmente se concentram em carnes bovinas, milho e soja.
Os Emirados Árabes compraram 13 produtos de Mato Grosso do Sul em janeiro, entre carnes bovinas e de aves, celulose e açúcar, somando 5,7 mil toneladas e 6,7 milhões de dólares. Já a Arábia Saudita compra carne e milho de Mato Grosso do Sul, que somaram 18 mil toneladas em janeiro.
Vale lembrar que o principal parceiro comercial de Mato Grosso do Sul segue sendo a China, com o consumo de 30% de toda a balança comercial do Estado. Seguido dos Estados Unidos (8,4%) e países baixos (4,6%).
De olho no petróleo
Além da venda de produtos como carnes e grãos para os países atingidos pela guerra promovida por Trump, uma preocupação global e que pode atingir todo o Brasil é o preço do petróleo. Isso porque os países envolvidos têm grande produção de petróleo e o Irã fechou a navegação no Estreito de Ormuz, principal rota de navios.
Conforme a CNN, pelo menos 150 embarcações, incluindo petroleiros, ancoraram no Estreito de Ormuz após o Irã fechar a navegação e o preço do petróleo começou a subir. Do outro lado, Trump afirma que os ataques podem durar em torno de um mês.
O economista Aldo Barrigosse afirma que a questão do petróleo é de grande importância, pois pode impactar o preço da gasolina em todo o Brasil, se a guerra se estender por muitas semanas. Já os produtos vendidos aos países atacados, podem ser destinados a outros compradores.
Ele explica que o barril de petróleo estava sendo vendido abaixo de 70 dólares até semana passada, atualmente está em 77 dólares e a expectativa de mercado é de chegar a 100 dólares nos próximos dias. O impacto é global na economia.
“Eu acredito que o conflito não deve durar muito tempo, um prazo curto até que seja normalizado. O que pode acontecer agora é atrasar um pouco o envio das cargas para os países, mas acredito que as exportações devem ser regularizadas em breve”, explica Barrigosse.
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